Torre Luma Arlés
Introdução
O projeto de Frank Gehry constitui o elemento central do campus da Fundação LUMA, idealizado por Maja Hoffmann. Este espaço une arquitetura, arte, natureza e design de uma forma única.
A renovação dos antigos edifícios industriais, a cargo do ateliê Selldorf Architects de Nova Iorque, cuja primeira fase foi inaugurada em 2018, funciona como um “think tank” interdisciplinar. A arquitetura inovadora de Gehry visa dinamizar a vida cultural de Arlés, com novas galerias, investigação, arquivos, oficinas e seminários.
O design de Gehry para o Museu Guggenheim de Bilbao revitalizou a capital do País Basco, e espera-se que o novo edifício em Arlés tenha um impacto semelhante.
Localização
A nova Torre está localizada no Campus Experimental e Centro de Arte Luma Arles, no sul de França, ocupando o espaço dos antigos ateliês da companhia ferroviária SNCF no Parc des Ateliers.
Conceito
O design faz referência ao pintor Vincent Van Gogh, à natureza e à história do local. A disposição e a forma do revestimento em aço inoxidável foram inspiradas nas representações das montanhas da região e do céu estrelado nas obras do pintor holandês.
Para a parte superior da torre, Gehry inspirou-se em “A Noite Estrelada”, que Van Gogh pintou em Saint-Rémy-de-Provence, próxima de Arlés.
As formas irregulares da fachada remetem para os penhascos de calcário característicos da região. Esta referência também é visível no interior, onde se incorpora uma linguagem geológica no design, com falhas envidraçadas que ligam as diversas torres.
“…Quisemos evocar o local, desde ‘A Noite Estrelada’ de Van Gogh até aos imponentes conjuntos rochosos da região. O seu tambor central remete para a planta do anfiteatro romano…” (Frank Gehry)
Espaços
O edifício conta com vários espaços polivalentes, salas de exposições, áreas de trabalho e investigação e locais para eventos, distribuídos por 12 andares.
O espaço interior está interligado por elevadores, uma escada de dupla hélice e dois tobogãs tubulares, obra do artista Carsten Höller, que captam a atenção dos visitantes ao acederem a um espaço ascendente de betão e aço após atravessar o átrio.
O Tambor
No coração do projeto encontra-se a Rotunda ou Tambor, uma área de 4000 m² que funciona como vestíbulo e conexão entre a praça e o edifício principal.
Dentro deste espaço, encontram-se as áreas de receção, vestíbulos e espaços comuns que orientam os visitantes para diferentes partes do complexo, criando um espaço de transição entre a paisagem urbana e a torre. Também acolhe algumas exposições e atividades culturais, atuando como um espaço flexível.
Salas de exposições
Do total de 15000m2 do edifício, quase 2000m2 são dedicados a exposições. Destaca-se o Main Exhibition Hall, um espaço amplo de 1000m2 sem colunas de suporte.
O espaço expositivo é complementado por outras duas salas de 500 e 350m2.
Outros espaços
A Torre também oferece serviços de cafetaria e restaurante, um auditório com 150 lugares, estúdios para artistas, uma biblioteca, sala de eventos, escritórios, 1200m2 de espaço para arquivos e uma terraço panorâmico no 9º andar.
Exterior
Os jardins exteriores com lagos, vegetação e esculturas ligam-se com o resto do Campus criado no espaço que antes ocupavam os antigos ateliês ferroviários.
Estrutura
O edifício é composto por três corpos: um zócalo coroado por uma rotonda de vidro que se abre para uma praça, um volume revestido com painéis de betão e um núcleo central que se abre em quatro torres independentes revestidas com painéis metálicos.
As quatro primeiras plantas estão rodeadas por uma estrutura circular de vidro com 54m de diâmetro e entre 16-18m de altura, inspirada nos teatros romanos. A sua estrutura está inclinada para permitir o acesso ao telhado.
O núcleo central de betão sustenta a estrutura, enquanto as placas de aço estão fixadas num sistema de suporte complexo.
As quatro torres, com 56m de altura, entrelaçam-se em torno do eixo central através de um quadro de aço revestido com painéis metálicos num design geométrico e retorcido, contrastando com a parede visível do núcleo revestida com grandes painéis de betão em tons de bege. Este uso do betão repete-se em diferentes volumes em torno do tambor acristalado da base.
53 caixas acristaladas de diferentes tamanhos e formas, colocadas de forma aparentemente aleatória e salientes, perfuram a fachada para permitir a entrada de luz natural aos espaços interiores.
A estrutura, extremamente complexa, foi modelada inteiramente em 3D.
Materiais
Na sua estrutura e acabamento combinam-se principalmente betão armado, aço e vidro.
Aço
A envolvente dos novos edifícios é composta por diversos elementos. A torre tem como componente principal uma fachada de blocos, que abrange 5000 m² e é formada por 11.000 blocos. Os seus painéis isolantes desempenham uma função estrutural, sustentando os blocos de revestimento de aço inoxidável.
Mais de 11000 painéis de aço inoxidável, dispostos de forma irregular, revestem o edifício. Na parte superior foram utilizados ladrilhos metálicos.
A disposição irregular destas placas joga com as mudanças de luz ao longo do dia ou com o ângulo a partir do qual são observadas, alternando os reflexos prateados durante as horas diurnas com os tons dourados à medida que o sol desaparece.
Para o observador, estes painéis assemelham-se a píxeles digitais da imagem de uma rocha ampliada e vista ao longe, fazendo um guiño à função prevista deste espetacular edifício como foco de novas formas de arte.
Para conseguir o acabamento brilhante, foram utilizados processos da indústria naval na fabricação de gigantescos cascos de aço. Os blocos, com ângulos irregulares, foram fixados sobre um esqueleto metálico assegurando estabilidade estrutural e um jogo de luzes único ao longo do dia.
Vidro
A base circular que abraça a torre está formada por uma estrutura de vidro com juntas invisíveis, resistente às altas temperaturas.
Betão
Painéis de betão tingido no revestimento exterior e interior, 1700 peças de diferentes tamanhos e ângulos, 10tn o mais grande, com juntas de 20mm e acabamentos que imitam as pedras dos Alpilles, numa zona sísmica, o que requereu um trabalho de I+D exaustivo.
As fachadas de grandes painéis pré-fabricados de betão armado, com uma superfície total de 8500 m², contam com um sistema de isolamento exterior.
O betão armado também foi utilizado no núcleo central do edifício.
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